Domingos Pascoal - Você gosta de ser bem tratado?


Domingos Pascoal

Professor, Escritor e Advogado. Graduado em Filosofia e Ciências Jurídicas, Pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas. Membro da Academia Sergipana de Letras Autor dos Livros: “Experimente Mudar” e “A Mudança Começa em Você”. Organizador do Concurso Literário de Conto, Crônica e Poesia da Loja Maçônica Cotinguiba I e II, das Antologias: Seleta do Encontro I, II, III e Antologia da Loja Maçônica Cotinguiba I e II. Incentivador da Cultura e da Literatura.

Você se sente feliz ao ser bem recebido nos lugares e pelas pessoas com quem convive? No ônibus, no restaurante, no banco, na bodega, no supermercado, pelos seus colegas de trabalho, pelo seu patrão, enfim, pelos que o cercam? Imagine voltar para a casa e encontrar todos os seus, com brilho no rosto, felizes por vê-lo chegar, de braços abertos e sorriso nos lábios por tê-lo de volta ao convívio. É muito gostoso, não é? É gratificante constatar que a sua presença ilumina o ambiente, agrada, harmoniza e dá alegria ao recinto. A sua presença é DESEJADA? Mas, imagine também, ao contrário, quando a sua presença deixa tudo turvo, escurece o ambiente, tira o brilho da conversa que rolava solta, as pessoas se fecham em copa e mudam de assunto ao ouvir os seus passos na chegada. A sua presença incomoda, não é DESEJADA? É apenas, circunstancialmente, TOLERADA? Viver muito tem dessas coisas, a felicidade e, também a infelicidade de ter convivido ou ter de conviver, ainda, com essas duas espécies de caráter. Aquelas pessoas que sempre são e serão bem recebidas, pessoas queridas, amadas, DESEJADAS... Como, ao contrário, ser forçado a fazer reverência a outras com quem, se fosse possível, sequer manteria qualquer contato. Mas, por alguma circunstância, tem que TOLERAR. Repito, aquelas criaturas, que sugam as nossas energias, escurecem os nossos ambientes. As suas presenças, em vez de elevar a nossa alma, sufocam-na, colocando-nos na defensiva para justificar, quase sempre, o injustificável. Estas infelizes criaturas investem dinheiro para usufruir de um bom atendimento, de uma boa companhia e, às vezes, até de um amigo. Só que esta é uma “mercadoria” que, se comprada, além de muito cara, não tem sabor, não tem calor, é fria e, sem sentido, muita razão e, nenhuma emoção. Não devemos nos olvidar, só recebemos aquilo que nos dispomos a dar também. E, então, por que esta dificuldade imensurável de entender e praticar algo tão simples? Qual o grande óbice para que essa situação de paz, alegria e prazer, tão desejada por todos, aconteça? Alguém saberia apontar o tal empecilho que nos impede de sermos felizes, de sermos queridos, de sermos desejados nos ambientes em que vivemos? Não. Ninguém sabe? Pois eu sei e vou passar para os que não sabem: o grande embaraço a esta paz reside na falta de amor das pessoas. Na nossa, inclusive, às vezes. Esta falta de amor não é somente com o outro, não. É, sobretudo, com nós mesmos. Nós não nos amamos o suficiente para construir em nossa volta um mundo amorável, de paz e concórdia. Pessoas com este caráter, são sempre aquelas que têm o coração ferido e, como disse Augusto Cury: um coração ferido, fatalmente fere, também.” Por conta destas pessoas é que vivemos num mundo tão sombrio, tão pequeno, tão mesquinho. Criando, por consequência, aquele clima de insegurança, de expectativa e de terror. Recebia, e certamente tanto eu quanto você seremos compelidos a receber, ainda, e muitas vezes pessoas assim. Pois, infelizmente a convivência e a conveniência social remetem-nos ao sacrifício de nos relacionar com estes espécimes de indivíduos; não por prazer, é claro, por obrigação, pena ou caridade. Se nos fosse dado optar, certamente evitaríamos momentos tão longos e ruins. Ser bem recebido, ser aceito, ser querido é, ou deveria ser, o sonho de todos. É uma coisa tão boa para nós, enquanto ser social, que deveríamos nos esforçar ao máximo na busca desta realização. Lamentavelmente não é o que acontece. Existem pessoas que ainda teimam em se mostrar azedas, ácidas, chatas. Pessoas que são como pedras pontiagudas não podem tocar uma na outra sem se ferirem mutuamente. E o pior é que fazem isso por prazer, fazem mesmo questão de demonstrar que são cascudos. Chegam a esbravejar: não estou aqui para agradar... A boa vontade abre as portas; a má vontade fecha-as; as boas maneiras adoçam os relacionamentos; as grosserias azedam as amizades; a polidez pavimenta os caminhos, a indelicadeza cria barreiras. É possível mudar? As pessoas que agem assim há muito tempo poderão transformar-se em criaturas mais dóceis, educadas, gentis? Acredito que sim. Já vi muitas mudanças radicais, verdadeiras metamorfoses. Lamentavelmente, em sua grande maioria, aquelas mudanças só acontecem nas adversidades, nas tragédias, nas desgraças. Por exemplo: nas necessidades, era rico e de repente ficou pobre; nos acidentes violentos que deixaram sequelas profundas; nas doenças graves que transformam a pessoa em sobrevivente. Ao que parece é que somente na desgraça é que entendem o óbvio, que não são nada. O que quero dizer é que essas pessoas pagam muito caro para aprender uma coisa tão simples: estamos de passagem e todos merecem ser felizes. Mas, não. São teimosos e, somente as tragédias os fazem acordar. Ou não. Ser bom é tão bom… ou, por outra, pagam caro para ter aquilo que poderia sair de graça.

Publicado em: A Nova Revista


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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe