9ª Bienal do Livro de Maceió, a difícil arte de vender livros - Parte III - Por Antônio Saracura


Estou hospedado no hotel Saint Patrick, na Jatiúca, ouvindo mais o mar do que o povo zoando no Jaraguá. Mas tanto o marulho na praia como o barulho na Sá e Albuquerque me encantam por igual. Depois do lançamento frio ontem, fui, estranhamente, animado, ao final da tarde de hoje à Bienal do livro.

Xxx Já estou me acostumando com o Palácio do Comércio, onde as Academias Alagoanas me acolherem e até me sentindo à vontade entre os imortais deste céu; com o Armazém onde ferve a feira de livros cheias de títulos a partir de um real; com as oficinas dos cordelistas (a maioria teve que sair pelas ruas anunciando seus livrinhos mágicos), com o Arquivo Público, o Iphan, o Misa, a Praça dois Leões, o teatro Homerinho, o Beco das Raparigas... Por estes lugares vou plantando minhas sementes e já colhendo frutos.

Fiz permutas de livros, encontrei leitores que agradeceram a oportunidade de levar para casa um livro autografado. Conversei com cada expositor que me abriu a janela. Escutei gratificado escritores independente louvando suas obras, conquistando novos leitores, como eu tenho feito.

XXX Sentado na Praça dois Leões, pegando uma fuga, conheci Zahira, uma senhora de Piracicaba que desenvolve um projeto cultural no povoado Boca do Rio, aqui em Maceió. Ela me falou de um Geloteca que tem lista de espera. Zahira veio à Bienal buscar livros para seus agoniados leitores. Levou os meus, de brinde, autografados. Eu queria ir ver a cara feliz dos seus leitores, mas já era dez da noite, hora de retornar ao hotel; e Cida me acenava para ajudar a carregar sua sacola abarrotada de livros que comprara no Armazém, a preço de banana.

Antônio Saracura


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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe