Discurso pronunciado pelo Ex-Governador Dr. Gilton Garcia na solenidade de posse de Antonio Porfírio


Discurso pronunciado por Gilton Garcia na solenidade de posse de Antonio Porfírio de Matos Neto na Academia Sergipana de Letras no dia 21/11/2019

Não tenho a pretensão de fazer um discurso para demonstrar erudição. Não, de forma alguma. Sou o que sou a essa altura da vida, com minhas virtudes e meus defeitos. Embora tenha mais de meio século de estudo constante, farei da minha palavra apenas uma expressão do sentimento que me agasalha neste momento solene. Citações, as farei, sempre conexas com o texto que escrevi.

É o filho de Edson Matos e Maria de Oliveira que adentra hoje nesta Academia de Letras. É Antônio Porfirio de Matos Neto quem toma posse neste Sodalício.

Desde que fui eleito para os quadros da Academia Sergipana de Letras em junho de 2002 é a primeira vez que saúdo um Confrade. Escancaro de logo minha alegria ao ser designado para recebe-lo em nossa Casa da Cultura e do Saber. De há muito afastado do mandatos parlamentares estadual e federal, vez por outra, confesso, me faz falta a Tribuna. Por isso vou falar com o entusiasmo dos principiantes. Aliás, Dr. Antônio Porfirio, temos nós muitas afinidades, somos do interior do Estado de Sergipe. A sua família do município de Frei Paulo e a minha da cidade de Rosário do Catete. É forçoso reconhecer que nada conquistamos gratuitamente, sem muito trabalho, como se fôra uma dádiva.

Além de membro que foi do MAC, Antonio Porfirio pertence a Academia Propriaense de Letras, ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e a Associação Sergipana de Imprensa. É, portanto, pessoa que tem imersão na cultura sergipana. Publicou, dentre outros, livros sobre Lampião e Zé Baiano, História de Frei Paulo e os Últimos dias dos Cangaceiros. Cito apenas estes, para nomear sua obra maior o “MUSEU DO CANGAÇO”, instalado no povoado Alagadadiço. Museu criado e mantido de forma privada, fruto de sua determinação e idealismo.

Sempre vinculado a área cultural do Estado de Sergipe, chega com razão e justiça a esta Academia o Dr. Antônio Porfirio de Matos Neto. E chega pela porta da frente, ungido pela unanimidade dos Acadêmicos votantes. Candidato único, não surgiu quem lhe fizesse parelha. Aliás, as afinidades a que me referi anteriormente estão expressas no nosso relacionamento familiar e na intensa participação política. A minha família abraçou a política a moda antiga, quando os eleitos tinham como compromisso e em mente somente servir ao povo. Vivemos hoje outros tempos.... Declaro que sinto orgulho de havermos administrado três estados brasileiros, de forma honesta e progressista. Estados situados em diferentes regiões do país, no Nordeste, no Centro-Oeste e no Norte; Luiz Garcia, meu saudoso pai foi Governador de Sergipe; meu tio José Garcia Neto governou o estado de Mato Grosso e eu exerci o Governo do Amapá.

Cito esses fatos porque são relevantes e inusitados na história do país, três sergipanos administrando três estados em três regiões diferentes do Brasil. Fatos que estão registrados no livro de autoria do Acadêmico José Anderson Nascimento, nosso estimado e eficiente Presidente. Com total dedicação a este Sodalicio, registro que o Presidente Anderson está completando nesse mês de novembro, 20 anos como nosso líder e dirigente maior, ao lado de sua esposa e nossa estimada confreira Dra. Luzia Nascimento.

Referindo-se à gloria dos Acadêmicos, Maurice Barré, escritor e político francês, dizia que é mais fácil ser imortal vivo do que depois de morto. Porque ao contrário do que se presume, nossa imortalidade não é a vida perene; é, apenas, o nome repetido, muitas vezes conduzindo à ressureição da obra literária. É a geração que se vai e é a outra que chega e, assim, como repetimos o nome dos nossos antecessores, nossos sucessores repetirão o nosso nome, com igual sentimento de respeito e veneração.

O escritor, seja ele poeta, romancista ou jornalista, tem a obrigação de exercer o seu ofício fazendo com que seja compreendido de forma correta. Necessário se torna que tenha proposição conteúdo e capacidade de convencimento para defender suas idéias e valores isso se faz com maturidade, coerência e argumentos sólidos. Digo que me senti lisonjeado quando fui eleito para participar como membro da ASL, principalmente porque na sucessão do Acadêmico Luiz Garcia que durante décadas, só fez engrandecer esta Casa, pela sua reconhecida cultura, ética e experiência. Esta noite, Antonio Porfirio de Matos Neto, o seu nome estará associado para sempre a cadeira nº 24. Sucessor do jornalista João Oliva Alves, a sua responsabilidade cresce à medida que se examina o proceder ético do nosso saudoso amigo e confrade. João Oliva muito representou para essa Academia, principalmente pela sua participação efetiva, pela sua conduta ritilínea, sem falar do seu gosto apurado pelos livros e pela arte do jornalismo. Desprendido, João Oliva parece haver cooptado o ensinamento exemplar de um jovem príncipe, filho do rei Felipe II, Alexandre Magno, Rei do reino grego antigo da Macedônia.

Perto de morrer, Alexandre fez 3 pedidos aos seus ministros: Que seu caixão fosse carregado pelos melhores médicos da época; Que os tesouros que tinha, fossem espalhados pelo caminho até seu tumulo; Que suas mãos ficassem fora do caixão e a vista de todos.

Os ministros surpresos, perguntaram, quais são os motivos? Ele respondeu: Eu quero que os melhores médicos carreguem meu caixão, para mostrar que eles não têm poder nenhum sobre a morte; Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros, para que todos possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui ficam; Eu quero que minhas mãos fiquem para fora do caixão, de modo que as pessoas possam ver que viemos com as mãos vazias, e de mãos vazias voltamos. É uma lição primorosa, creio. Todos devemos guarda-la.

Confrade Antonio Porfírio, aqui reunidos estão os seus familiares e confrades de outras Academias. Vieram todos lhe desejar felicidades, e principalmente, demonstrar confiança no prosseguimento do seu trabalho cultural. Tenho absoluta certeza que, dentre nós Acadêmicos, ganhamos um excelente companheiro. Porfirio não é gente arestosa, complicada. Haveremos, portanto, de desfrutar de excelente convívio. Já éramos bons amigos antes da sua chegada a esta Academia. Agora, seremos companheiros para o resto da vida, lado a lado, fraternalmente, como convém a uma casa de Confrades.

Dir-se-á, e os amigos que vieram assistir a sua posse? A esse respeito recorro a Voltaire, escritor francês e iluminista, que em sua obra “Dicionário Filosófico” ensina: “os malvados têm somente cúmplices os voluptuosos têm companheiros de orgia quem procura interesses tem sócios o baixo segmento dos ociosos busca intrigantes os príncipes procuram cortesãos mas somente os homens virtuosos têm amigos”.

E está provado aqui e agora que o Dr. Porfirio tem amigos em profusão. Falo dos amigos verdadeiros, considerados pelos poetas, pedaços de nossas vidas.

Concluo: Atencioso e educado Antônio Porfirio de Matos Neto é homem simples, sem arrogância. Para situa-lo como ser humano, eu repito as palavras do festejado escritor latino-americano Gabriel Garcia Marques, autor do magnifico romance “Cem Anos de Solidão”: Diz ele: “Eu aprendi que um homem só tem direito de olhar a um outro de cima para baixo, quando vai ajuda-lo a levantar-se”.


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