A Estatueta Misteriosa - Por Edna Mendes

Sou Mariana Mendonça, arqueóloga e proprietária do Sítio Arqueológico Arco-íris, localizado na lendária Grogró de Mel. Tenho mais de dez anos de experiência e naquele dia, eu estava realmente decidida. Arrumaria a bagagem, passaria no Sítio e verificaria o tal artefato, que estavam divulgando nos telejornais.

Assim, fiz. Fui a primeira a chegar ao local, enquanto isso a ansiedade me consumia. Era algo inédito e haviam descoberto logo no dia em que eu não me encontrava no serviço. De imediato, já conversei com a equipe de segurança e dirigi-me ao local, agora, isolado de tudo e de todos. De súbito, toquei no artefato que ainda se encontrava preso a uma grande pedra, parecia uma pequena estatueta e imediatamente fui arremessada ao passado. Agora, lá no passado, reencontrei meus pais, já falecidos há mais de 15 anos. Que alegria fantástica! Que emoção sublime! Eu estava consciente de minha viagem no tempo, mas os outros, não!

Tudo era nostálgico, mas mágico. Tempo de faculdade, últimos anos. Os colegas cheios de ansiedade e meus pais preocupados com minha festa de formatura. Estava namorando aquele que eu pensava que seria o pai dos meus filhos, Mário. Como eu me enganei! Mário veio a falecer num acidente automobilístico, dois meses após minha formatura. Sofri, sofri muito, na época.

Naquele momento, meus pais, já bastante preocupados com meu trabalho, compraram um sítio arqueológico a fim de que eu me especializasse no ramo e estivesse mais próxima deles. Depois da formatura, formei um grupo de trabalho com meus próprios colegas de faculdade e contratamos alguns funcionários, vizinhos do sítio e logo, à frente da propriedade, meus pais construíram uma casa ampla e confortável e passamos a residir ali mesmo, os três.

Foi viver um sonho, mais uma vez! Aliás, sonhos. Que sonhos! Foi mais ou menos, um mês revivido em poucas horas. Voltei à realidade! Naquele momento, descobri o poder daquela estranha estatueta, que nos levava no tempo. No meu caso, fui ao passado. Que outros poderes teriam aquela estatueta? Iríamos agora, estudá-la, teríamos que fazer em segredo, despistaríamos as mídias, já que a notícia vazou sem meu consentimento.

Meus pais, que saudade! Há tanto tempo sem aquele abraço, mas sentia-me feliz, imensamente feliz.

Edna Mendes Para Mariana Fernandes Mendonça Lima

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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe