Amanda, a Rainha dos Animais - Por Edna Mendes


Fatigadas e famintas, mas ansiosas para relatarmos o ocorrido e ávidas pela nova aventura na caverna vivida pelos homens, chegamos finalmente ao acampamento, que agora estava pronto.

Pedrinho, o mais falante deles, ficou de pé para contar da decepção de não vivenciarem a aventura na fenda. Eu e Rayane ficamos intrigadas, mas no dia seguinte, tiraríamos a dúvida. Passamos, então a relatar sobre Troll e a coleta dos espécimes vegetais e fragmentos de cerâmicas.

Ao nascer do dia, começamos a catalogação dos exemplares recolhidos e em seguida, fizemos uma rápida reunião para planejarmos o dia.

Nós, as mulheres, iríamos à fenda. Arrumamos tudo e seguimos. Os homens ficaram observando boquiabertos a sequência dos fatos.

Sentamos na pedra, a fenda se abriu e Rayane, como sempre, seguiu em frente e logo atrás, eu e Stefany. Ao penetrarmos na fenda, já ouvimos o rugido de animais e eis que surgiu diante de nós, um parque de animais, um zoo. Tudo muito bonito e organizado, mas não existiam pessoas. Estranho!

Começamos a circular por entre as grandes jaulas, plantas e lagos e nada, ninguém aparecia. Quem estaria cuidando daquele espaço e daqueles animais? Quem os alimentava? Quem cuidava da saúde deles? Continuamos o passeio. Paramos diante da jaula das cobras e o medo foi enorme. Uma cobra gigante dormia. Tinha umas manchas amareladas e uma enorme cicatriz em seu corpo. Passamos rapidinho e fazendo o maior silêncio.

Durante nosso passeio, íamos catalogando amostras do solo, plantas e pequenas partes dos animais como unhas, penas, escamas e outros. Muitas fotografias registravam as belezas do lugar.

Paramos e fizemos um rápido lanche. Em seguida, já no fundo do zoo, avistamos uma casa na árvore que se destacava das demais por ser bastante frondosa e ter muitas luzes nas cores: verdes, amarelas e azuis. Seguimos naquela direção e à medida que fomos nos aproximando, percebemos que as luzes eram seres minúsculos; na verdade, eram fadas. Constatamos que todas as fadinhas azuis tinham o rosto da Stefany, as amarelas eram iguaizinhas a Rayane e as verdes, eram minhas cópias em miniaturas. O que significava aquilo? Por que aqueles seres de luz eram tão parecidas conosco? Qual o porquê da cor de cada uma?

Todas as fadinhas voaram ao nosso encontro e ficaram ao nosso redor, mas de repente se abriu uma ala e surge uma fadinha rósea com um arco de minúsculos diamantes na cabeça, era a rainha das fadas. Sua majestade se apresentou. Chamava-se Amanda e foi logo nos perguntando quais eram as nossas impressões do lugar. Mal podíamos acreditar no que os nossos olhos viam... fadas! Meu Deus! Que fabuloso!

A rainha Amanda informou-nos que ela e seu povo cuidavam dos animais e que todos tinham sido resgatados da floresta do Sítio Arqueológico Arco-íris. Todas nós falamos um pouco sobre o parque, quais eram nossas impressões e como chegamos ali. A rainha disse-nos que havia liberado o portal porque sentira que tínhamos boas intenções, éramos pessoas do bem, mas que devíamos voltar para o mundo exterior para não desequilibrarmos aquele santuário dos animais.

Despedimo-nos de todos e num passe de mágica, estávamos frente à fenda.


Edna Mendes 11/2019

Para Amanda Ximenes Paiva

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