As Sereias Gêmeas - Por Edna Mendes

A noite fria demorou a passar, até porque nós não conseguimos dormir. Nem mesmo conversamos uma com outra. Ouvimos apenas o pio da coruja, várias e várias vezes.

Com o romper do dia, sentimo-nos aliviadas, ainda atônitas, decidimos retornar àquele misterioso lugar. E agora? O que faríamos? Como comprovaríamos a nossa inusitada experiência? Diante de tantas indagações, só nos restava tentar. E assim, fizemos.

Arrumamos rapidamente nossas coisas e fizemos como antes. Sentamos na pedra e logo a fenda misteriosa se abriu. Elevei meu pensamento a Deus e confiei. Entramos e tamanha foi nossa surpresa. Ali, agora era uma enorme caverna com uma piscina encravada na pedra. Dela saíam bolhas de água de todas as cores: verdes, amarelas, azuis, brancas, róseas. Lindas! Enquanto eu e Rayane admirávamos as bolhas, surgiram do fundo da piscina duas belas sereias-crianças. Eram iguaizinhas. Não conseguíamos diferenciá-las. Surgiram do fundo da piscina, cantando uma linda música, que não conhecíamos e depois outra e mais outra. Ficamos ali, paradas, esperando mais.

A primeira sereia disse que se chamava Helena e a outra, era sua irmã gêmea, Riana. Conversaram bastante. As duas sereiazinhas foram encantadas por uma bruxa e desejavam muito sair daquele lugar, mas só um famoso mago do reino das sereias poderia desfazer aquele encanto.

As meninas-sereias sonhavam com passeios fora dali, Irem à escola, praia e a um parque de diversão. Helena queria se tornar uma escritora famosa, publicar um livro de contos e dar palestras nas escolas e eventos falando sobre o mundo marítimo e Riana, seu maior sonho era ser uma eterna criança, mas se não fosse possível, seria médica de crianças ou a professora da escola das sereias.

Falamos sobre nós, sobre nosso trabalho e o quanto estávamos impressionadas com as fantasias daquele local. Elas pareciam não entender nossa emoção. Não sabiam o que faziam uma arqueóloga e uma cientista, naquela caverna.

Raiane pediu autorização às pequenas sereias para coletar um pouco da água da piscina e fui logo pegando minha máquina para fotografá-las. Tudo agora, seria comprovado. Subitamente abriu-se o teto da caverna e a luz da lua entrou, iluminando o espaço. Conseguimos de lá, ver algumas estrelas que pareciam piscar para nós.

Estrelas? Lua? Como poderia ser, se o dia mal tinha começado? Enquanto fazíamos esta reflexão, ouvimos o barulho da rocha fechando todas as fendas. Era hora de partir... Era hora de voltar.

Seriam as pequenas sereias frutos da nossa imaginação? Claro, que não! Agora, teríamos como provar tudo aquilo. Sob a luz da lua, de repente, ouvimos o barulho de vozes amigas dentro da mata. Eram os outros arqueólogos e funcionários do Sítio que estavam a nossa procura.


Edna Mendes 04/11/019 Para Antônia Helena Lopes Mesquita e Riana Maria Lopes Mesquita

  • White Google+ Icon
  • Twitter Clean
  • facebook

2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe