Dos Santos Juninos Ao Forró Alegre, Escreve O Professor Carlos Alexandre

A cultura não é algo estático, ou seja, imóvel. Ela acompanha o ritmo da sociedade, criando espaços de diálogo. O interessante é não deixar que nenhuma manifestação cultural se sucumba ao esquecimento do seu povo. Foi nesse pensar que ocorreu a 35ª edição do Sarau no Coreto, Monte Alegre de Sergipe. A temática desta edição foi voltada aos Santos Juninos e o Forró Alegre.

Sabemos como é significativa esta época do ano para nós nordestinos, pois é o período da colheita e dos louvores aos Santos. Essa tradição ecoa em toda a nação brasileira e aqui em Monte Alegre de Sergipe as comemorações se materializam através das novenas aos santos como ocorre na casa de Dona Nolita na véspera do dia de Santo Antônio, Povoado Lagoa de Dentro. Uma novena de tradição familiar.


Além disso, há a colocação de fogueiras na noite de São João e São Pedro. As fogueiras simbolizam a sinalização de Izabel a sua prima Maria sobre o nascimento de João Batista. Ao redor dela as famílias se divertem, soltam fogos e comem as comidas típicas da época originarias do povo indígena.


Um outro ponto que ganha destaque no município é o Forró Alegre. A festa principal do município. O Forró Alegre teve sua primeira edição em 1993 e de lá para cá a população junto ao poder público organizam essa grande festividade. Ao longo do tempo passou por transformações, devido às questões financeiras do município, mas se mantém sendo o maior forró do sertão sergipano. O importante é a preservação dessa grandiosa festa, porque “forró bom lá no sertão tem que ser em Monte Alegre” como bem ritmou Aritana.


Outra materialização das comemorações é o passo e compasso das pisadas dos quadrilheiros e em Monte Alegre o destaque é a Quadrilha Forró Alegre, formada por jovens e adultos monte-alegrenses. Ela transmite a alegria desse povo acolhedor. A quadrilha conta com o apoio de grandes entusiastas da arte do xote, xaxado e baião, André (Sobó), Chaolim e Flávio. Vale ressaltar a importância do trabalho realizado pelas escolas estaduais , municipais e particulares em prol da preservação da nossa raiz cultural.


Juntando-se a todas essas materializações significativas e vivas encontramos os arreios que selam os cavalos, éguas, jumentos (as), bois para participarem do afamado Casamento do Matuto. Vale registrar que essa manifestação tem várias décadas e surgiu antes do Forró Alegre.

Foi no ritmo da alegria junina, na luz dos fogos dos artifícios, na pisada dos quadrilheiros, nas orações aos Santos juninos, no galope dos cavalos, na energia do Forró Alegre e na convicção da preservação, valorização e destaque a essa cultura que realizamos mais uma edição do Sarau no Coreto.


Agradecemos aos participantes André (Sobó), Aritana, Felipe, Flávio, Laura e Martha Daniele por disponibilizarem um tempo e contarem um pouco das histórias das comemorações juninas da nossa terra. Os nossos agradecimentos se estendem ao Bahia Soluções, JB Sonorização e Iluminação, à Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo na pessoa do secretário Matheus Borges e à Prefeitura Municipal de Monte Alegre, representada pela prefeita Marinez Pereira.


Ressaltamos a importância de cada cidadão/cidadã monte-alegrense em manter viva as manifestações culturais do seu povo como também divulgar, respeitar, valorizar todos os (as) artistas locais. É através desse apoio que nossa cultura se fortalece e é vista além fronteiras.

Assim, se concretiza o Sarau no Coreto. Um espaço plural e de todos (as) cidadãos/cidadãs monte-alegrenses e visitantes. Em 25 de julho, comemoraremos o seu 3° aniversário e você é nosso (a) convidado(a). Vida longa ao Sarau no Coreto!


Carlos Alexandre N. Aragão Idealizador do Sarau no Coreto

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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe