O Espelho - Por Edna Mendes

Em uma de minhas andanças pelo Sítio Arqueológico Arco-Íris, resolvi levar Rayane, uma cientista visitante que pretendia explorar o Morro Dedo de Deus, por ter no seu ponto mais alto, um rochedo com o formato de um dedo que apontava para o céu.

A distância entre a casa-sede do sítio e o morro era de mais ou menos 7 km e no trajeto passaríamos por um riacho e um trecho cheio de rochedos cercado por uma pequena faixa florestal de árvores altas e milenares.

Como ainda era cedinho e o sol lançava seus primeiros raios, saímos com os trajes e ferramentas essenciais ao trabalho. Dentre as ferramentas, colocamos uma câmera digital para registrarmos os momentos e as descobertas que pretendíamos realizar.

Horas depois, paramos as duas diante da base do Morro. Ao circundá-lo, resolvemos sentar em uma pedra e mal sentamos, uma fenda ao lado da pedra se abriu, deixando-nos perplexas, mas curiosas.

Rayane tomou à frente e em seguida, adentrei naquela estranha fenda que se fechou logo em seguida, deixando-nos presas ali naquele lugar, um quarto com paredes de pedras e um espelho. Não era um espelho comum. Era um espelho enorme com uma moldura estranha, porém de um charme único, era coberta por pérolas, diamantes e umas pedrinhas verdes reluzentes e do teto, refletia uma luz azulada que iluminava o lugar, dando-nos um ar de mistério.

Ali, paradas, ficamos. Ergui minha mão, toquei as pérolas e senti correr por meu corpo um arrepio leve, mas esquisito. Enquanto isso, Rayane preferiu as pedras verdes e de súbito, percebemos a mudança. Rayane tornara-se uma princesa, uma linda princesa-criança, igual às princesas das histórias infantis.

No entanto, enquanto ainda incrédulas, viramo-nos novamente para o espelho e lá estávamos, eu e uma velhinha de cabelos brancos, corcunda e de um farto sorriso. Que loucura! Que engraçado! Por que as transformações visuais só aconteciam com Rayane? Seriam a princesa e a velhinha, visões do futuro daquela cientista? Por que nada aconteceu comigo, além do arrepio?

De repente, o raio de luz direcionou-se para o local onde a fenda se fechou, abrindo-a novamente. Um tremor imenso sacudiu o lugar e corremos, em disparada.

Agora, já fora, e ofegantes descobríamos que a noite chegara fria e assustadora, porém somente uma única coisa poderíamos fazer. Iríamos pernoitar ali mesmo dentro dos nossos sacos de dormir e apenas no dia seguinte, continuaríamos nossa aventura.

Edna Mendes 10/2019 Para Rayane Pereira Paiva

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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe