O Semeador - Por Edna Mendes

Atualizado: Abr 11

Meses depois, recebi um telegrama. Era de um ilustre escritor e amigo do Dr. Cleano Moreira me pedindo permissão para vir ao Sítio Arqueológico, pois tinha uma missão a cumprir. Era final de outubro de 1999, quando chegou o Dr. Pascoal Melo, o semeador, o grande amigo de nosso professor. Muitas vezes, Dr. Cleano Moreira falou-nos de suas façanhas com a literatura. Era um grande escritor, conhecido por todo o nordeste brasileiro e fora também, um ex-aluno. Estávamos maravilhados com a visita, apesar de não sabermos exatamente seus objetivos. Ele era um filho da região que muito cedo havia partido e construído seu futuro longe da terra natal. Era cedinho, após acomodá-lo, fomos tomar um café e conversar um pouco. Sentamo-nos todos ao redor da grande mesa e ficamos a ouvi-lo. — Amigos, é muito bom estar aqui. Meses atrás, fui procurado por nosso estimado Dr. Cleano Moreira e decidimos vir aqui, mas infelizmente, nosso amigo foi chamado a Casa do Pai. Morreu há dois dias, exatamente aos 73 anos, dia 26 de outubro. A notícia caiu como uma bomba. Não estávamos acreditando. Como não soubemos? Estávamos tão envolvidos assim em nossas atividades que não tomamos conhecimento da saúde do nosso amigo? Eram tantas indagações! Um ar de tristeza pairou no ar. — Sinto muito dar esta triste notícia, mas seguindo suas orientações, aqui vim cumprir a missão recebida por ele. Ouvi lindas histórias contadas por ele e atendendo a seu pedido, digo-lhes: Aqui estou! Quero conhecer estas aventuras e com sua autorização, querida Mariana, quero registrá-las. Quero escrever mais um livro. Será um livro de contos para crianças. Pretendo juntar um grupo de amigos e fundar uma academia literária; sonho com crianças crescendo no mundo das letras. Crianças que futuramente contem a nossa história, a história do nosso povo. Este era o sonho do nosso professor. Este, também é meu sonho. Vim semear esta ideia. Preciso de vocês! — Minha neta ficará tão feliz! Suspirou tia Nenen, nossa secretária. Oh, desculpem-me! Mas não pude me conter. Minha neta Karen Terezinha é uma poetisa, quer muito escrever um livro. O senhor poderia conversar com ela? — Com certeza. Fico honrado em poder ajudá-la e quem sabe de quantos outros poderemos cuidar — respondeu o Semeador. O dia passou-se rapidamente. Era uma conversa animada. O Semeador sentia-se feliz entre os jovens cientistas e arqueólogos. Senti-me motivada. Naquele mesma noite, planejamos uma excursão por todos os lugarejos do Sítio Arqueológico. No amanhecer do dia seguinte, ao sairmos, disse-me o grande escritor: — Mariana, estarei sempre contigo. Escreva, você mesma, estas lindas histórias. Após, uma pequena reflexão, aceitei o convite. Aqui estou.

Mariana Mendonça A contista

Para o grande mestre Dr. Domingos Pascoal de Melo 31/03/2020

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2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe