O Tesouro de Troll - Por Edna Mendes


Era uma linda manhã de sexta-feira, dia limpo e ensolarado. O grupo dos cientistas decidiu pernoitar no alto do morro, próximo a Troll. As idas e vindas contínuas haviam deixado o grupo muito cansado. No domingo, eles retornariam ao Sítio Arqueológico Arco – íris, pois o ex-professor e arqueólogo da faculdade marcara sua visita para a próxima semana.

Pedrinho chefiaria a expedição ao morro, já que se presumia ser ele, o escolhido do dia. Sempre à frente e muito ansioso, o cientista logo visualizou o guardião, que estava sentado próximo à entrada do local subterrâneo.

O esperto cientista aproximou-se de Troll e foi logo dizendo que queria ser o próximo; não aceitaria ser deixado para trás mais uma vez. O guardião nada disse, levantou, pegou o cientista e deixou- o diante da abertura. O portal se abriu, Pedrinho entrou deixando os dois outros amigos ali fora.

Diante dele, surgiu uma figura lendária o lobisomem, com garras e dentes afiados, um vasto pelo cor cinza. O lobisomem fitou-o no olho e preparou-se para atacá-lo. Pedrinho desmaiou de tanto pavor. O que aconteceu depois, Pedrinho não conseguiu ver. Tudo o que lembrava, era que acordara numa grande jaula, junto com outros homens que pareciam pré-históricos que estavam devorando as vísceras de um outro ser humano. Pedrinho, nauseante, pediu a Deus que o tirasse dali e perdoasse àqueles que ali se encontravam naquele estado tão deprimente.

Tudo desapareceu como num passe de mágica e Troll surgiu. O guardião disse-lhe que ele fora o único que pensara em Deus, diante do medo ou da repulsa, pedindo não só por ele como pelo outro. Pedrinho ficou como que paralisado pelas últimas emoções vividas, mal compreendia Troll. Passados alguns minutos, o guardião solicitou que ele fizesse um pedido, que logo seria atendido.

O cientista pediu para ver o tesouro. Rapidamente, abriu-se um portal e lá estava uma enorme caverna. Era um vasto tesouro, muitos baús cheios de joias e moedas de ouro e uma variedade de relíquias em pedras preciosas. Formava quase um morro e repentinamente abriu-se um caminho por entre todo o tesouro e Pedrinho e Troll foram caminhando. No centro, havia uma espécie de berçário com dezenas de bebês muito parecidos com o Troll.

O Guardião disse-lhe:

--- A partir de hoje, você será o mais novo guardião do nosso povo. Jamais permitirá que o ser humano que não seja temente a Deus venha até aqui. Este é o nosso maior tesouro, este é o futuro do meu povo. Estou aguardando o retorno de outros iguais a mim, para darmos continuidade ao nosso trabalho aqui e só depois retornaremos para o nosso mundo. Mas vou lhe avisando logo, no dia que você fraquejar, o esquecimento virá até você.

Pedrinho ainda perplexo com tudo, balançou a cabeça em sentido afirmativo e foi lançado para fora dali. E agora, o que dizer aos amigos? Trairia a confiança de Troll? Aguardaria que os amigos tivessem outras chances?

O dia já estava findando e Vítor Hugo e Arthur já haviam preparado o local para pernoitarem. Com a chegada do amigo, foram à fogueira e lá começaram a conversar. Pedrinho contou tudo, menos sobre o tesouro, mas ele não se sentia bem com aquele segredo.

Edna Mendes 11.11.2019

Para Pedro Henrique Mendes Teixeira


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Aracaju, Sergipe