Troll, o Guardião - Por Edna Mendes

Para Maria Stefany Costa Oliveira

Troll, o Guardião

O reencontro com outros membros da equipe do Sítio Arqueológico foi caloroso, de muitos abraços e de novidades a contar. Estavam integrando o grupo três cientistas: Pedro Henrique, mais conhecido como Pedrinho, João Víctor, o filho da minha amiga Gelciane e Artur e também, uma arqueóloga que fora minha colega de faculdade: Stefany Costa.

Agora, éramos três homens e três mulheres. Após o primeiro momento, passados os sustos, começamos a conversar e a contarmos as novidades. Eles nos falaram sobre a estatueta, que não haviam conseguido muito, até porque estavam aguardando a chegada do nosso ex-professor da faculdade para nos orientar sobre o resgate e o estudo daquele intrigante e precioso artefato.

Contamos sobre a descoberta da caverna e as aventuras ali vividas e todos ficaram bastante empolgados por fazerem uma exploração ao local. Debaixo de algumas plantas, fizemos uma fogueira e montamos duas barracas para dormirmos. O restante da noite foi calmo, sem nenhuma novidade a não ser a velha coruja que se abrigava ali próximo. Ainda no nascer do dia, preparamos um café, sentamos num pequeno círculo e nos dividimos em dois grupos: o das mulheres e o grupo dos homens. Nós iríamos subir o morro até a pedra em formato de dedo e os homens ficariam ali para explorarem a fenda.

Pedrinho, João Vítor e Artur fizeram como havíamos orientado. Foram à pedra e lá sentaram os três. Nada aconteceu. Então, foi um por vez, porém nada da fenda abrir. Esperaram e horas depois voltaram. Fizeram tudo de novo, mas não obtiveram nenhum resultado.


Resolveram então, fazer ali o acampamento do grupo. Limparam o terreno, colocaram algumas armadilhas para os animais predadores, armaram algumas redes e fizeram comida. Enquanto isto, subíamos o morro, eu, Stefany Costa e Rayane. Durante o trajeto foram coletadas algumas espécimes vegetais para estudo e pedaços de cerâmicas. Tudo foi fotografado e marcado para posterior retorno.

Chegamos à rocha no alto do morro, fizemos alguns registros e paramos para descansar um pouco. A caminhada fora árdua e precisávamos fortalecer nossas energias. Algumas horas depois, Stefany se levantou e seguiu um barulho estranho, como o do quebrar de paus ao serem pisados e um assobio interminável.

A jovem arqueóloga avistou numa pequena clareira um vulto que julgou ser de um de nossos colegas. Infelizmente não era, tratava-se de um ser parecido com o Saci Pererê, tinha uma perna só, era negrinho, porém usava um gorro amarelo ouro na cabeça e trazia na mão direita um arco verde.

Aquela estranha criatura desapareceu diante dos olhos de Stefany, reaparecendo atrás dela. Que susto danado! Stefany gritou alto e viemos ao seu encontro. Lá estavam os dois. Nós nos aproximamos, mas ele sumiu novamente. Minutos depois, escutamos o assobio e lá estava ele diante de nós.

A criatura chamava-se Troll, era o guardião da pedra em formato de dedo. Parecia zangado, mas aos poucos fomos convencendo Troll de que estávamos numa expedição exploratória do lugar e que não tínhamos nenhuma intenção de destruir nada.

Troll era um ser do bem, só usava seu arco para caçar ou para defender a pedra. Logo, aquele ser nos contou sobre o lugar, que ali somente os homens tinham acesso aos tesouros secretos; pois as mulheres de tempos atrás tinham ido embora. Agora, só restava Troll. Depois de ouvirmos estas e outras histórias, resolvemos voltar para o acampamento, mas prometemos voltar em breve. Troll sorriu e desapareceu em seguida.

Edna Mendes 11/2019

  • White Google+ Icon
  • Twitter Clean
  • facebook

2020 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe