2019 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe

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Entrevista com o jovem Aécio Silva Júnior

Aécio é estudante do curso de Medicina Veterinária do Campus da UFS de Nossa Senhora da Glória. É um grande apreciador e defensor da natureza. Participou dos projetos “Jovens Cronistas do Sertão” e “A Poesia indo à Escola” desenvolvidos no Centro de Excelência 28 de Janeiro, Monte Alegre de Sergipe. Escreve poemas e crônicas nas suas horas de lazer. Conheça mais este jovem que nos inspira a pensar no amanhã ainda melhor.

 

 

 

1 ) Quem é o jovem Aécio?

Sou uma pessoa como outra qualquer, um jovem carregado de sonhos e metas que está sempre atrás de novos desafios e caminhos. Viver e aprender com a vida é a minha sina, o meu prazer. Assim como o sol nascer todos os dias, também nasce sempre em mim a vontade de estar em constante aprendizagem. Apesar das dificuldades do dia a dia a alegria é algo constante da vida deste jovem que vos fala, é aquele velho ditado popular, se a vida te dá um limão, faça uma limonada (risos), o importa é ter perseverança, e isso é o que não falta em mim. Atualmente sou acadêmico do curso de medicina veterinária na Universidade Federal de Sergipe Campus Sertão e por conta da minha paixão pelo alto sertão sergipano, pretendo firmar aqui minhas raízes e continuar descrevendo a beleza desta terra e deste povo através dos meus poemas e crônicas.

 

2) Como o desejo de ser médico veterinário surgiu?

Desde criança sempre tive em mente que queria ser médico veterinário. Lembro que certa vez, na segunda série (hoje terceiro ano) minha professora, Tia Neuza, pediu para respondermos uma entrevista, onde certa pergunta indagava “o que você quer ser quando crescer?” Lembro de mesmo tão novinho já ter a certeza de querer ser veterinário, e essa foi minha resposta. Ao passar dos anos essa vontade só aumentou, ver tantos animais sofrendo e morrendo pela fome e sede por conta da seca, por falta de uma assistência médica veterinária que é tão escassa onde moro e não poder fazer nada só me causou ainda mais vontade de ingressar na área da veterinária.

Esse certo que desde sempre essa foi a minha paixão, me atraiu e me atrai cada dia mais e mais pelas possibilidades diversas que a profissão me oferece. Fazer o bem a quem necessita ter a chance de salvar vidas, conviver, tratar e curar criaturas tão incríveis e amáveis como os animais, isso não tem preço. E ainda tenho a oportunidade de cuidar diretamente ou indiretamente da saúde das pessoas, o que também me alegra. Sinto que agora poderei retribuir todo o bem que o convívio com a natureza e os nossos colegas de 4 e 2 patas me trouxe durante esses mais de 18 anos de vida no campo. Minha infância e pré-adolescência morando na fazenda da minha avó, Lourdes foi a melhor época da minha vida, eu era feliz e nem sabia (suspiros) com certeza vem daí o meu interesse pela área, por esse convívio e amor pelos animais, estes que são bem mais munidos de bons sentimentos como o amor e a gratidão que nós, ‘pobres e tolos’ seres humanos.

 

3) Sabemos que você estudou em escola pública e esta passa por grandes sufocos, mas qual a importância dela na sua formação?

Ano passado tive uma experiência muito interessante e que cabe ser dita nessa pergunta. No início do ano (2017) fui selecionado num programa de bolsas (ProUni) para cursar medicina veterinária em faculdade privada, após decorridos por volta de 7 meses fui aprovado na UFS para o mesmo curso, onde hoje estudo. Dessa forma, pude observar os dois lados da moeda, e por isso digo com toda certeza que apesar de as escolas/colégios que eu estudei possuírem vários problemas e deficiências (assim como, infelizmente, toda a rede pública) estudar neles foi a melhor coisa que poderia me acontecer.

Infelizmente a realidade do sistema privado de ensino é bem diferente do que a sociedade passa, como sendo ele um local onde o aluno pode ir mais longe que na escola pública. Isso é uma ilusão, instituição de ensino privado não é sinônimo de aprendizagem de qualidade assim como a pública não pode ser taxada de ruim, “deixada de lado” ou desvalorizadas como infelizmente o nosso atual governo está fazendo (a propósito, FORA TEMER). Se por um lado as instituições de ensino particulares trazem consigo um quadro completo de professores e estruturas físicas muito acima do padrão das públicas na maioria das vezes, por outro elas tornam os alunos de  certa forma acomodado por toda comodidade que ela dispõe. A escola pública, ou sendo mais específico, o colégio estadual 28 de janeiro preparou-me para a vida, pois é nas dificuldades rotineiras que o aluno da rede pública compreende a importância e o valor das coisas.

Nos estudos assim como na evolução das espécies, permanecem os indivíduos que se adaptam às diferentes situações e dificuldades, e eu compreendo que não há lugar melhor para mostrar a realidade da vida a um aluno do que a rede pública. Se o problema era a falta de professores éramos forçados a ensinar a nós mesmos, se o problema era a falta de merenda aprendíamos o valor da partilha do lanche, se o problema era a falta de pincel a aula era dada oralmente, se faltava livro para o colega dividíamos o nosso, se não tinha bola para uma simples atividade de educação física sem perceber aprendíamos a trabalhar em grupo e juntos fazíamos uma de papel usando uma folha de cada caderno da sala ou juntamos moedas para comprar e por aí vai.

Claro que há aqueles que não se adaptam e infelizmente ficam pelo caminho, mas aquele que aprende a fazer da dificuldade um aprendizado e supera-o, aprende algo que muito dificilmente aprenderia com todas as “regalais” da rede privada, aprende a viver e a ser um bom profissional, pois assim é a vida e o mercado de trabalho, ou você aprende a lidar com as dificuldades que aparecem no caminho ou fica parado no tempo. É claro que isso não é uma regra e existem pessoas que aprendem isso na rede privada. Mas nada que se compare a o valor que aprendemos a dar aos estudos na rede pública.

 

4) O apoio familiar é essencial na nossa vida. Como sua família conseguiu te estimular a conquistar seu sonho?

Sempre tive o apoio da minha família no que diz respeito a estudo, porém com relação a cursar medicina veterinária houve uma relutância por parte da maioria. Achavam que era uma área sem futuro em nossa região, mas sonho é sonho, né?! Na hora de fazer a escolha do curso até pensei em fazer licenciatura em letras, mas neste dia arrumando meu quarto achei uma pasta e nela estava a entrevista que falei anteriormente, onde eu aos 6 anos já dizia querer ser veterinário, interpretei isso como um sinal de que esse era o meu destino, ingressei no curso e hoje todos me apóiam - acreditem jovens, é sempre assim eles reclamam, reclamam, mas no fim quem deve escolher é VOCÊ,  a opinião deles o tempo cuidará de mudar).

Sobre essa questão de estímulo eu não poderia deixa de citar aqui primeiramente a minha mãe, Cícera Eliane. Sendo ela uma mãe maravilhosa, sábia e professora, sempre incentivou meus estudos e como ela mesma diz fez “das tripas coração” para eu estudar e realizar meu sonho. A família é uma base muito importante ao longo da vida estudantio, principalmente na universidade. Eu jamais conseguiria chegar onde estou sem o apoio das minhas avós (Berenice e Lourdes), minha irmãzinha amada, Clara e sem a ajuda de muitos da família tanto por parte da minha mãe e também por parte do meu pai, Aécio Silva. Eu queria poder falar o nome de todos que me ajudaram como tia Iracema, tia Luzimere, Tia Miminha, tia Lenilda, tia Vânia, tio Lenildo, tia Knô e tantos outros tios (as), primos, (as) e demais parentes que ajudaram-me com palavras, orações ou ações, mas não caberiam todos aqui, por isso sintam-se representados pelos já citados, amo e agradeço Todos vocês.

E como disse meu caro amigo Lucas, família não é só quem tem o mesmo sangue, sendo assim eu jamais poderia deixar de citar aqui uma pessoa que já faz parte da minha família, e é tipo um irmão mais velho, que é o professor Carlos Alexandre Nascimento Aragão, este que desde um início do ensino médio me deu forças para seguir o meu sonho, me incentivou a estudar, escrever crônica, poesia, artigo de opinião, me deu oportunidades incríveis, aprendizados e ainda me mostrou o valor que tem uma amizade sincera. E outra pessoa que também preciso falar e a aproveitar a oportunidade para agradecer é a minha professora, Angelise, ela que mesmo sem me conhecer muito, nos meus momentos difíceis foi capaz de me dar forças com suas palavras doces e me incentiva sempre a seguir em frente e não desistir dos meus sonhos, às vezes nesse caminho rumo ao diploma somos provados pela vida, e nessas horas é importante termos pessoas tão iluminadas e que se preocupam com o próximo com Angelise e Carlos, com certeza não há estímulo melhor para o aluno do que ter professores como esses nos ensinando.

Posso dizer que fui e sou agraciado por Deus, pois tive ótimos professores e amigos que só somaram na minha vida; não arrisco citar o nome de todos, pois graças ao divino são muitos e todos são importantes para mim, logo não poderia colocar uns e outros não, igualmente ocorre com os professores. Mas caso algum de vocês esteja lendo esta entrevista, seja meu amigo ou “ex”-professor saiba que eu agradeço muito por suas palavras, sua companhia e ajuda. Sei que tudo de bom que veio a mim foi por meio de vocês e isso me faz eternamente grato.

 

5) Sabemos que na sociedade atual os jovens são direcionados a seguirem outros caminhos e não conseguem criar um projeto de vida. Como você driblou as ofertas sociais e ficou no seu objetivo?

Realmente é muito difícil não acabar cedendo ao mundo capitalista e deixar os estudos de lado para arrumar um emprego qualquer, ainda mais na crise em que vivemos, mas se temos um objetivo, precisamos colocar em mente estratégias que ao menos nos aproximem desse objetivo.  Hoje temos as redes sociais que por vezes tiram o foco dos jovens do estudo, temos a questão do “viver de aparências” que a vida virtual traz além de todo um contexto social de comportamento que infelizmente anda afastando muitos jovens dos seus objetivos, um exemplo claro disso é o consumo de álcool e outras drogas que se torna cada vez mais incentivado atualmente, desviando o caminho das pessoas.

É bem difícil não obedecer a vontade da sociedade que a todo momento exige de nós, adolescentes uma maturidade que muitas vezes ainda não temos, por isso é importante o papel da família e do professor em ser um verdadeiro amigo para esses jovens e orientá-los nesse caminho. Um conselho que eu daria para quem está no início desse longo e árduo caminho até a universidade é aproveitar ao máximo o que seu professor e escola tem a lhes oferecer. APROVEITAR AS OPORTUNIDADES que te levaram ao seu objetivo, por menores que sejam é a melhor forma de driblar os desvios que sempre aparecem.

 

6) Quais estratégias você criou para absorver os conteúdos necessários?

Estudar não pode jamais ser algo doloroso. É preciso experimentar várias formas de aprendizagem e procurar a que mais te agrada. No meu caso eu busquei observar quais assuntos eu tinha dificuldades e de que forma eu absorvia eles mais fácil (se por vídeo aula, leitura, até paródia é válido), também é importante ter disciplina nos estudos, apesar de no início ser incômodo, ela ajudará a acostumar o corpo e a mente a uma rotina de estudos que não ficará só no período pré-vestibular, mas depois na vida acadêmica e por aí vai. O estudo sempre estará presente na vida do verdadeiro estudante. E lembrar-se sempre não esperar amanhã chegar para estudar, ou esperar a boa vontade do cara lá de cima. O comodismo não levam ninguém a nada e a regra é clara, fazeis que eu te ajudareis!

 

7) Se você fosse palestrar para um público jovem, o que diria?

Apaixonado pela medicina veterinária do jeito que sou provavelmente mostraria as maravilhas dessa profissão e tentaria convencê-los a cursá-la (risos). Mas tenho em mente que só devemos cursar o que realmente sonhamos. Trabalhar em algo que não se gosta é assinar um contrato de infelicidade onde a rescisão cobra um preço muito alto. Já quando se ama o que faz, tudo fica mais fácil e aqui vai um exemplo para motivar vocês, eu particularmente não suporto física, mas para me formar médico veterinário estou cursando está matéria “maravilhosa”, e mesmo não gostando dela o amor pela área veterinária me faz querer aprender a bendita da física. Por isso, jovens, sigam o seu coração e façam aquilo que te faz se senti realizado.

 

8) O que podemos esperar do médico veterinário Aécio?

Como médico veterinário pretendo contribuir o máximo que eu puder no âmbito das pesquisas, através do conhecimento científico e popular do alto sertão sergipano, ajudando a oferecer uma vida melhor para os nossos animais, em especial nossas amadas cabras sertanejas que representam tão bem esse meu pedaço de chão chamado nordeste. Elas que tanto inspiraram meus textos terão em mim, um amigo disposto a desenvolver maneiras de melhorar sua saúde e um “dotô” pronto para acudilas, a elas e a quem precisar, pois esse é o ofício do médico veterinário, ajudar a melhorar vidas, e é isso que vocês podem esperar de mim.

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