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Mulheres de Santa Catarina aderem à rede feminina da maçonaria

03/03/2019

A presença delas é cada vez maior na maçonaria e, assim como os homens, buscam a evolução em serem livres e com bons costumes

 

Por Priscila Araújo

Publicado em: www.nsctotal.com.br

 

 

Integrantes do Sul do país se reúnem pelo menos uma vez por semana

(Foto: Camila Domingues/Agência RBS)

 

 

Com mais de mil anos de existência, a maçonaria, que prega a aceitação das diferenças e tem entre os seus princípios contemporâneos a defesa da não discriminação por motivo de raça, cor, religião, opiniões políticas ou posição social, abre espaço para igualdade, aplicando a participação das mulheres.

O primeiro registro de uma maçom foi em 1717, na Irlanda, quando Elizabeth Aldworth iniciou em uma loja masculina. Ao longo dos séculos, organizações de mulheres foram instituídas em todo o mundo.

 

Atualmente, o Brasil tem cinco lojas destinadas às mulheres: nos Estados do Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e duas em São Paulo. Os estabelecimentos são reconhecidas pela Grande Loja Feminina da França (potência maçônica internacional).

Entre as diversas linhas seguidas mundialmente, a mais tradicional é o Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A), no qual é vetada a participação do sexo feminino. Apesar disso, os ensinamentos e estudos realizados em uma loja maçônica (local de encontro dos maçons), que leva este nome porque em línguas como o inglês e o italiano, por exemplo, a palavra "loja" significa cabana e/ou cômodo, são exatamente os mesmo para homens e mulheres.

A restrição no R.E.A.A existe por uma questão energética, já que o hermetísmo – conhecimento místico, astrológico e de alquimia –, doutrina exercida neste meio, explica que as energias dos gêneros tem frequências diferentes. O dia corresponde ao homem (o sol) e a noite à mulher (a lua). Como essa tem uma interferência maior no planeta Terra, por exemplo, nas marés, a presença do sexo feminino em lojas que seguem as etiquetas do R.E.A.A traz um certo “desequilíbrio” esotérico.

Apesar das dificuldades pelo R.E.A.A não tolerar mulheres, Patricia Mello, Grão-Mestre (maior título de um representante de loja) do Oriente Feminino de Gaia (GOF de Gaia), localizado em Porto Alegre (RS), conta que nos dias de hoje alguns maçons homens que seguem o conceito mais tradicional estão dispostos a receberem e contribuírem com as damas dentro da fraternidade.

— Muitos dos homens que seguem R.E.A.A querem as mulheres dentro da maçonaria. Se a gente for pensar que a mulher é a base de uma sociedade sadia, ela deveria passar pelos conhecimentos maçônicos. De ética, de moral, de aprimoramento humano, pois é ela que educa os filhos. Com essa visão muitos homens nos ajudam — conta Patrícia.

As regras seguidas nos encontros que são compostos de cerimônias intelectuais e práticas, são as mesmas para ambos os sexos. Uma prova disso são as lojas mistas, chamadas de "droits humains" (diretos humanos). A reportagem tentou contato com diversas potências maçônicas masculinas, mas não obteve retorno.

 

Santa Catarina tem 14 irmãs maçons

 

Segundo Patricia Mello, Grão-Mestre do GOB de Gaia, o interesse feminino pela maçonaria tem crescido no país.

— É uma média de 10 mulheres por dia fazendo contato por meio de telefone ou internet pedindo informações — diz.

Cerca da metade delas acaba ingressando na prática, a outra parte na maioria das vezes não segue por falta de tempo, já que a maçonaria exige estudos e dedicação dos membros.

— Temos trabalhos filantrópicos fora de loja, o cuidado com as que estão chegando. Existe uma série de fatores que elas entram muitas vezes e não conseguem dá continuidade. É muito trabalho — explica.

Em Santa Catarina há 14 irmãs ligadas ao GOB de Gaia. Uma das 52 que frequentam a loja gaúcha é Tamiris Zanelato, cirurgiã dentista, 26 anos, moradora de Criciúma, que há cerca de três meses vai ao Estado vizinho de 15 em 15 dias para os encontros, por causa da distância.

— É algo que me escolheu, que vem de dentro. É querer ser uma pessoa de bons costumes, querer ver as coisas sempre corretas e buscar o aperfeiçoamento no que fazemos — frisa.

Observar o temperamento de quem faz parte da prática também influenciou na decisão. Para Tamiris, essas pessoas têm perfil admirável.

— Um maçom não é maçom só na loja. Ele tem que trazer isso para a vida. A maçonaria, através do ideal de aperfeiçoamento, conduz o indivíduo ao equilíbrio e desenvolvimento pessoal, ao exame da moral e prática de virtudes. A força que impele o ser humano a fazer o bem, que leva o cumprimento de deveres para com a sociedade e a família, sem interesses egoísta — destaca.

As vezes o ego "fala" mais alto. Para combater esse tipo de reação, a maçonaria usa recursos lúdicos, como por exemplo, manter as irmã em duplas desde a iniciação, para que elas consigam reconhecer que todas são iguais e que estão juntas na caminhada evolutiva.

— Ser maçom é um orgulho. É ser uma pessoa de boa índole — garante Tamiris.

 

(Foto: Camila Domingues/Agência RBS)

 

Discreta e não secreta: a origem da maçonaria

 

A palavra maçom, do francês significa pedreiro. A prática remete à construção do templo do Rei Salomão, que na época não conseguiu mão de obra qualificada e pediu ajuda ao Rei de Tiro. Ele então selecionou 3,6 mil Mestres para a construção, 80 mil Aprendizes para a extração de pedras e 70 mil Companheiros que faziam o transporte das rochas até o local da obra.

A comunicação entre eles era por meio de sinais, toques e palavras específicas, já que a maioria era de analfabetos. Assim, na hora do pagamento cada um usava um dos métodos para ter a função reconhecida e receber o pagamento.

Séculos depois, este sistema ainda é presente entre os irmãos (ãs). A maçonaria usa de alegorias e símbolos para transmitir os ensinamentos. As cerimônias são mantidas em sigilo por respeito ao significado de cada ato realizado nelas como reflexo de compreensão, e consequentemente na postura pessoal de cada envolvido.

O objetivo não é obscuro, mas, sim, de despertar o olhar fraterno entre os seres humanos. Para que isso aconteça é preciso que a pessoa perceba em seu interior que o respeito e a compaixão pelo próximo é válido como se fosse para você mesmo (a).

Não se trata de segredo e sim de reconhecimento íntimo, acompanhado de evolução espiritual e muito estudo em diferentes áreas, incluindo, ciência, física e outras.

 

Confira as fotos (Por Camila Domingues):

 

 

 

 

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