2019 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe

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ABSOLVO E CONDENO, Gizelda Morais - Antônio Saracura

22/03/2019

 

ABSOLVO E CONDENO, Gizelda Morais, Editora Vertente (2000),Isbn: 85-86345-73-3

 

 

 

 

 

 

Um juiz de Vara de Família encontra na vida uma mulher muito mais jovem e se envolve até a raiz do cabelo.  Sobe ao Céu, redescobre sentimentos que já haviam morrido, há muito, nele. O íntimo do magistrado entra em convulsão. Dúvidas estraçalham seu discernimento. Os conflitos se intensificam com a família original. Desencontros, tramas, tráfico, emails desviados, Brasil, Japão, polícia, escamoteios, prisão, duplos personagens. Uma filha demonstra-se a grande amiga nessa encruzilhada, ajudando o pai a recuperar a paz que a idade requer.

 

 

 

Li dois livros distintos dentro de Absolvo e Condeno.

 

O primeiro (Entre as Próprias Paredes) é monótono. Estive a ponto de abandonar a leitura algumas vezes. As ruminações do doutor João não me cativaram absolutamente. Foram 136 páginas de sofrimento, porque eu não podia parar a leitura. Afinal, era um livro de Gizelda Morais, a grande intelectual sergipana.

 

O segundo livro (Entre as Paredes do Mundo) é eletrizante, impossível parar de ler. Excelente pique

narrativo mantido o tempo todo, deixando o leitor agoniado, querendo sempre ler mais, saber mais um pouco. Nenhuma palavra fora do lugar, nenhum fato desencaixado. Até resolve incoerências que o primeiro livro deixou plantada, como no caso do email solitário de Akiko reclamando da falta de notícias. 

Depois de concluída leitura do livro inteiro, fiquei considerando se não deveria reler o primeiro. Poderia ter sido culpa minha. Meu santo podia ter me abandonado naquelas 136 páginas. Nenhum escritor abriria mão de cativar o leitor logo no início de um livro. Ou melhor, no início no meio ou no fim, em toda trama. Mas muito mais no começo, que é a hora de cativar o leitor. De que serve um final espetacular se nenhum leitor o alcança?

 

Mas não reli o primeiro livro. Preferi guardar a impressão sombria. De qualquer jeito, eu não o abandonei. Mesmo sofrendo o clima de deserto, avancei e alcancei o oásis.

 

Mesmo estando dentro do segundo livro, o que elogiei, o finalzinho (o fecho da história) pareceu-me mediano. Bastava que o autor desse a notícia de que o equívoco fora esclarecido. Gastaram-se páginas e trama para trazer um homem para nada.

 

Achei o título inadequado ao romance, poderia se chamar A Última Paixão. Do mesmo jeito que Ibiradiô poderia se chamar Guerra injusta. E a Procura de Jane, O Retorno de Jane.

 

Mas título de livro é um de meus traumas. Como sofro para achar os meus!

 

(Aracaju, 13 de julho de 2014. Recuperada em 03 de março de 2019. Antônio FJ Saracura)

 

 

 

 

Antônio Francisco de Jesus Saracura às 16:34

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