2019 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe

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O Escritor na Livraria palestra na ASL - Antônio Saracura

06/05/2019

 

 

 

1)      Saudações e agradecimentos

Senhor Presidente, prezados colegas e amigos da Academia Sergipana, do movimento cultura e visitantes

Prezados colegas de outras academias

Prezados amigos que não poderia deixar de citar nominalmente, mesmo nas saudação anterior

A todos saúdo e espero que aproveitem a palestra.

 

 

2)      Os painéis da história de Itabaiana, Sergipe e Brasil e o II Prêmio de Poesia.

Ratifico o convite que venho fazendo aqui, e o faço agora com veemência, para vocês (especialmente quem ainda não viu) darem uma olhada com carinho na exposição dos painéis que retratam a nossa história. Está aqui ao lado, no saguão cultural, Luzia Nascimento. E ficará até o próximo dia 15, segunda-feira. A Academia Itabaianense de Letras, e os nossos artistas, agradecem sua presença, também na exposição.

 Trouxe folders de divulgação para o concurso II Prêmio de poesia José Jorge de Siqueira Filho cujas inscrições vão até junho.

 

3)      Apenas revivendo um passado perto

Publiquei meu o primeiro livro em 2008, Os Tabaréus do Sitio Saracura, aos meus 63 anos de idade, oito após encerrar minha atividade como analista de sistemas que foi a profissão maior da vida toda.

Publicar custa dinheiro, que minguem tem. Exige sacrifícios, mesmo a mim, que dispunha de um acervo imenso de textos prontos. Minha vida inteira escrevi diários (já falei nisso), crônicas, romances, poesia, artigos para jornais. Guardo caixas cheias com cadernos de capa dura com as atas de meus dias passados. Além do que, fui treinado por trinta anos desenvolvendo aplicativos em computador que requer abstração do meio e viver em mundos imaginários.

Dar a forma final a um livro é uma maratona com fim indefinido. O mesmo livro assume mil figuras, cada uma excelente em um primeiro momento, mas nenhuma resiste a uma nova avaliação.

Foi uma decisão difícil publicar. Aconselhei-me com velhos parceiros do jornalismo (Luiz Antônio Barreto, João Oliva Alves), eles foram duros comigo. Mandaram-me resolver por minha conta.

Recebi os exemplares sob cara feia de minha esposa que temia perder seus espaços nos armários de casa.

 

4)      A busca ao leitor: Os lançamentos dos livros

Orientado pelos amigos, agora eles foram receptivos, fiz o lançamento do livro. O primeiro contato do autor com o leitor. O primeiro pra valer. O lançamento é uma festa para amigos. O leitor disperso dificilmente comparece, mesmo que tenha ouvido o rádio falar do evento. Ele vai se sentir deslocado, no meio de desconhecidos se confraternizando. O autor, ocupado demais em dar conta dos autógrafos, pouca atenção pode dar-lhe.

Os lançamentos sãos irmãos dos sepultamentos: Uma boa oportunidade para rever amigos sumidos, colegas solidários e parentes chegados.

Os parentes, amigos e colegas pouco leem e, depois, fogem de uma conversa sobre a obra com o autor. Muitas vezes, jogam elogios ao vento para escapar do flagrante.

 

5)      A busca ao leitor disperso

Esgotado a clientela do lançamento (cem exemplares), como vender o resto da edição (novecentos)?

 As redes sociais têm um importante papel na busca de novos leitores. Hoje é o canal mais importante de divulgação. Preciso de um curso técnico para me aprimorar nas ferramentas.

A participação em Feiras Literárias, Bienais, Concursos, Escolas, programas de rádio e televisão ajudam na divulgação. Tenho ido a todos que posso.

Há empresas especializadas em divulgar livros como há em eleger políticos desconhecidos. O custo do serviço pode ser maior do que o retorno com as vendas. Não me animei a andar ainda por esse caminho.

A propaganda boca a boca pode vender muitos livros. Requer boas vendas prévias. E como achar muitos abnegados que se apaixonem pela sua literatura?

As livrarias, entretanto, representam o melhor local de distribuição de um livro. Deveriam ser.

xxx

Deixei meu livro na livraria Escariz e ele se misturou aos milhares de títulos cintilantes. Como alguém o acharia?

Eu agora me sentia um pouco também a livraria. Não era justo circular nela como um simples cliente. Queria mostrar meu livro às pessoas.

Mas todas as portas me pareciam fechadas. Naquele luxo todo das lojas do shopping não via como chegar perto e conversar com meu livro tão solitário. Não havia outro escritor, identificado como tal, falando sobre seu livro, que eu pudesse imitar.

 

6)      Os primórdios que eu vi e vivi

1960 a 1964, há 55 anos mais ou menos e eu estava com 15. Muitos aqui nem haviam nascido. Eu estudava no seminário na rua Dom José Tomás 164, no bairro São José. Eu dava um jeito de engabelar o reitor, padre Carvalho, ou o prefeito do momento e, no final do expediente das sextas-feiras, descia até a rua João Pessoa, no centro da cidade de Aracaju. Nem sempre eu conseguia. Havia missas, palestras, adoração ao santíssimo, mil obrigações...

Os escritores famosos estavam na rua João Pessoa disponíveis. Vinham de suas casas ou das repartições e se aglomeravam no hall de entrada da livraria Regina. Mais do que na Monteiro e na Nascimento. Conversavam entre si e com quem aparecia, sobre livros. Eu era um moleque tímido, tabaréu como ainda sou, e ficava à parte, embasbacado com os monstros sagrados dos quais lera livros. É que eu possuía alguns privilégios no seminário: era o responsável pelo Museu onde imprimia-se o jornal O Clarim e pela arrumação da biblioteca na qual habitavam meus deuses.

J Freire Ribeiro, Santo Souza e Clodoaldo Alencar declamavam poemas inflamados que me aturdiam. Comprei “Sahara”, de Freire Ribeiro nem sei com que dinheiro. Gosto dos seus poemas. Comandaroba me arrepia! Em outro dia, ganhei Orós. Eu olhava com muita vontade e tinha nenhum tostão no bolso. Anum Branco me arrebatou com seus contos, especialmente os que que aconteciam em Itabaiana.

Não me lembro os nomes de todos os escritores que pairavam nas livrarias da rua João Pessoa no final da tarde de sexta. Renato Mazze Lucas, Pires Winne,  Cabral Machado, Alberto Carvalho. José Silvério, que me conhecia da capela do seminário, passava cumprimentando e ia embora orar na igreja do São Salvador sem nem me perceber. E Alphonsos Guimarães de quem comprei Poesias Completas a preço de banana. A cola ressecara e os cadernos estavam quase soltos. Dois volumes. Peguei o boi. Mesmo mineiro e falecido há muito, ele veio me cumprimentar acompanhado de sua Constanza, que fora ao céu cedo demais, prima dele e filha de Bernardo Guimarães. Bernardo possuía umas diferenças com o padre Carvalho, que não aprovou a linha de O Seminarista e achou muito exagerada a dor da Escrava Isaura.

Meninos que não Queriam ser padres falam um pouco desses momentos que jamais serão esquecidos. E dá conta rápida dos livros que compuseram minha biblioteca de estudante pobre. E como tive que abandoná-los quando a Petrobrás me transferiu para São Paulo nos idos de 1970. Deixei sob a guarda de meu irmão, Silva de Jesus, e espalhei alguns com amigos diletos, entre os quais, Expedito Souza. Recentemente, restabelecidos os laços, recuperei alguns com imensa festa íntima.

 

7)      Ribeiro mostrou-me à cidade.

Quando, em 2008, eu lancei “Os Tabaréus do Sítio Saracura”, um cidadão, chamado Ribeiro (Antônio Ribeiro), que entrava nos programas de rádio para expor seus pontos de vistas corajosos, sempre polêmicos, tomou-me pela mão, e me levou às rádios, à televisão e aos jornais. Apresentou-me a parte dos ilustres da terra. Eu puxado, de pescoço duro. Cabresto preso, tabaréu cismado, ele assim me chamava. Ribeiro vendeu meu livro pela cidade, fazendo alarde positivo, colocando-me como um marco na literatura sergipana.

Ele irrompia nas salas dos grandes, interrompia reuniões, cochilos, momentos íntimos. Não queria saber. E eu o acompanhava com o maior medo de receber um esbregue ou mesmo agressão física. E até houve casos de rejeição evidente, que um dia ainda contarei, se não morrer entes. Apresentou-me ao professor Paulino, ao poeta Marcelo Ribeiro, ao jornalista Clarêncio Martins, a poderosa Aglaé Fontes, a Euclides Oliveira, articulista da imprensa da Bahia, que se transformou em outro difusor, especialmente, na cidade do Lagarto, onde tenho bons leitores.

Apresentou-me ao célebre Murilo Melins, que me acolheu como a um velho amigo da boemia, puxou-me do chão e me acomodou em uma nuvem ao seu lado.

Murilo organizou um relançamento de meu livro entre amigos, em um bar da moda que funcionava na praça do São José, numa boca de noite. Convidara pessoas que valorizavam a literatura. Levei exemplares, no maior entusiasmo, achando que a sociedade sergipana inteira estaria presente. Caiu um toró no meio do verão tórrido. Nem o dono do bar apareceu. Foi até bom! Eu, Ribeiro, Murilo, o saudoso professor Roberto Mendonça Maia acompanhado da esposa apenas. Ganhei mais um grande amigo e divulgador apaixonado de minha obra, enquanto viveu, o especialista na segunda guerra mundial, Roberto Maia, de saudosa memória.

 

8)      A Busca intensa do leitor

Depois de Os Tabaréus do Sítio Saracura, publiquei, até 2012, Meninos que Não queriam ser Padres e Minha Querida Aracaju Aflita.

Muitas pessoas iam à livraria e me contavam (os que encontravam jeito) que os vendedores não conseguiram achar meus livros. Certamente estavam esgotados. Onde comprá-los?

Eu comemorava. Vendera todos. Levaria mais dez exemplares de cada título.

Mas a livraria não recebia. Ainda não vendera nenhum das remessas anteriores.

Onde estariam escondidos os livros que os compradores e os vendedores não encontravam?

Investiguei.

Estavam estocados nos subterrâneos inacessíveis. O sistema de busca dera um crash, estava em manutenção. Era a época dos didáticos, dos infantis, dos halloweens. Os funcionários não tinham a menor ideia de quem seria o Saracura solicitado. Meus livros mofavam, tão ignorados como eu era ali.

Eu então precisava ficar o tempo todo na livraria e acompanhar, no pé, cada cliente que aparecia para indicar o esconderijo de meus livros. Uma tarefa impossível. Precisava, pelo menos, ser conhecido e respeitado pelas equipes voláteis que fazem a livraria viver, que indicam aos clientes os bons livros. Eu e todos os escritores sergipanos pois nossa situação era idêntica, pelo que percebia. Tarefas inviáveis.

Mesmo que eu me apresentasse aos vendedores de um dia, quem garantia que, no dia seguinte, eles estariam ainda nos seus empregos?

Mas eu não via como penetrar na intimidade operacional das livrarias. Não conhecia as chaves e arrombar as portas me traria complicação com a polícia.

 

9)      Um birô na Jorge Amado

Então ouvi Murilo Melins (ou imaginei ter ouvido) falar que a Escariz mandaria instalar um birô/escrivaninha/gabinete na nova loja que seria aberta, no início de 2014, na avenida Jorge Amado. Seria um espaço exclusivo, devidamente identificado, onde ele (Murilo ou outro autor) poderia ficar ali sentado, conversando com leitores que circulassem na loja, confabulando com os vendedores.

A livraria então seria nossa. Deduzi e comemorei.

E veio-me à cabeça a imagem do passado, da Regina da rua João Pessoa dos idos de 1960, povoada de escritores vivos interagindo com os leitores, declamando, lançando livros.

Com o birô (gabinete) prometido de Murilo, eu não mais seria um rato anônimo na livraria. Nossos livros ganhariam pernas e andariam até os clientes...

 

10)   A Segunda Bienal do Livro de Itabaiana

Na Bienal do livro de Itabaiana, a Segunda Edição, acontecia em setembro de 2013. Mais ou menos na mesma época do prometido birô. Paulo Escariz participou de uma mesa de debates. Ele falou da luta para mover uma loja de livros. Possuía então duas nos shoppings Jardins e Riomar. Falou da crise da leitura que se acentuava cada vez mais. E outros temas inerentes, entrando nos livros de autores sergipanos. O trabalho que dá administrar individualmente, escritor a escritor (como se cada um fosse uma editora que fornece mil títulos), das queixas dos escritores (vendem pouco, quase nada; mesmo os ilustres recebem de volta pacotes com exemplares encalhados), das comissões cobradas pela Escariz... E mostrou suas defesas, várias, e algumas inquestionáveis. E fez colocações que me atingiram: Os escritores acham que escrever é sua única tarefa. Publicar é obrigação do poder público e vender é função da livraria instalada na cidade. Abandonam os filhos nas mãos dos outros.

Junto ao palco, comentei com Pascoal de Melo, meu eterno confidente, que precisávamos levar os nossos escritores para dentro das livrarias onde estavam nossos livros meio órfãos.

 

11)   Um documento da história

Dias depois, eu e Pascoal fomos falar com Fátima e Paulo, os donos da Escariz. Logo, elaboramos um ante projeto para funcionamento do que chamamos O Escritor na Livraria. E começamos a experimentá-lo, informalmente.

Com a data de 29 de março de 2014, resgatei de meu computador esse documento que, em linhas gerais, dá a personalidade de O Escritor na Livraria, que funciona ainda hoje dentro do mesmo escopo.

Objetivo: Os escritores sergipanos em parceira com livraria Escariz promovem o movimento “O Escritor na Livraria”. O objetivo é humanizar (divulgar) o nosso livro, possibilitando aos autores, quase sempre seres de outros planetas, estarem ao lado de seus livros, conversando com os leitores. Por decorrência, dinamizando os espaços da livraria e promovendo os escritores e suas obras.

Data: Toda última quinta-feira do mês entre as 17 e 20 horas acontecerá a reunião de final de mês com os participantes. Quinta-feira é um dos dias em que normalmente as pessoas têm poucos compromissos nesse horário. O leitor pode dar uma esticadinha também à livraria.

Local: O local físico da reunião de fim de mês será uma área interna por onde os clientes passam primeiro. Na Escariz-Jardins será no andar térreo, à frente do segundo balcão, ao pé da escadaria que vai à sobreloja. A Escariz disponibilizará duas mesas, cada uma com quatro cadeiras, que serão usadas para expor livros, para debates com leitores ou entre escritores. Os escritores também poderão usar as mesas da área de leitura da livraria em complementação às duas disponibilizadas se houver demanda para isso. A Escariz definirá locais à vista do ambiente para instalação de banners.

Cadastramentos de Livro: Apenas a Escariz poderá comercializar livros no seu ambiente. O cadastramento a entrega de livros devem seguir o esquema padronizado da Escariz. Entretanto, para facilitar a operação de O Escritor na Livraria, poderá ser feito, experimentalmente, na loja do Jardins.

Modus Operandi: Os escritores por moto próprio abordarão os clientes que entrarem na loja, entregando-lhe material publicitário (marcadores de página, cartões de visita, panfletos, ECT) e, se couber, fazendo ligeira explanação sobre sua obra ou sobre um livro. Sobre a distribuição de panfletos na área externa à Livraria Escariz, Fátima verá a viabilidade. Nos dias comuns o escritor trabalhará como se fosse um vendedor, circulando na loja.

Publicidade: (não). Prestação de Contas: (não). Comissão: (não). Livros: (não).

Palestras: (não). Coordenação: (não).

E mais outros tópicos que tratam da Publicidade, das Palestras, da Prestação de contas, da coordenação, da exposição visual dos livros... que pulamos para ganhar alguns minutos.

 

12)   Avaliação do evento em 27/03/2014: Também de nossos arquivos.

Fizemos testes e achamos que o movimento poderia dar muito certo. Não precisa ninguém se inscrever, apenas que as obras e o escritor estivessem presentes na loja.

Graças à desinibição de dois escritores presentes no sarau de final de mês de março, os poetas Gustavo Aragão e João Lover, pudemos começar as palestras / declamações por parte dos escritores. Constatamos interesse dos visitantes da livraria e se formou, espontaneamente, uma pequena plateia.

Não houve significativo volume de vendas, mas foram plantadas boas sementes.

Cerca de 15 escritores estiveram presentes: Lígia Madureira Pina, Murilo Melins, Martha Hora, Antenor Aguiar, João Lover, Gustavo Aragão, Domingos Pascoal e Antônio Saracura... entre outros.

A próxima reunião/sarau no shopping jardins (Escariz) ficou marcada para o dia 24/04/2014 no horário de sempre. Sobre o Shopping Riomar, poderemos estudar com os promotores (donos da Escariz) outro dia no mês (talvez a última quarta-feira). (Antônio Saracura).

 

13)   Troca de emails com Fátima: Após a segunda edição de “O Escritor na Livraria”

Fátima Escariz e Mar 27, 2014, às 22:38, 13:39 (Há 2 horas) para mim, Domingos, Domingos, João Lover...

 Boa tarde a todos!

Nosso encontro da quinta-feira foi muito interessante e gratificante. Quanto a panfletagem, infelizmente o shopping não permite fora da loja sem acerto anterior, isso envolverá financeiro. Mas dentro da Escariz e no café São Brás já estamos devidamente autorizados.

Quanto as declamações e recitais vamos rever o local para que nosso balcão de atendimento ao cliente não fique preso.

No mais estamos de acordo. Fátima Escariz.

Antônio Francisco de Jesus respondeu:  ok Fátima. Passarei aí na próxima para ajustarmos alguns pontos visando o prosseguimento de "O Escritor na Livraria". E a expansão. Saracura

 

14)   A busca ao leitor: O Escritor na Livraria

Qualquer dono de loja reserva os locais mais visíveis de seus mostruários aos produtos que mais vendem. Ele precisa faturar para cumprir as obrigações do negócio. As livrarias também. Nenhum livreiro vai manter uma gôndola com livros que não vendem. É a lei do comércio.

Por que então a Escariz Jardins mantem, hoje, uma gôndola evidente com os livros mais vendidos sergipanos? Certamente porque estão vendendo. O programa O Escritor na Livraria tem a ver um pouco com isso.

Mas ter apenas a gôndola exclusiva não significa que nossos livros vendam mais e mais. Muitos leitores passam por ela e nem olham, nem param um segundo. Como se fôssemos dispensáveis. Tenho inquerido à pessoas que saem da livraria com pacotes livros: O senhor considerou na sua compra os livros de autores sergipanos que estão naquela gôndola?

Afora as respostas mal educadas, prevalecem a de que nem viu a gôndola, nem sabia que havia livros sergipanos que merecessem ser lidos. Alguns nem conheciam qualquer escritor sergipano.

O Escritor na Livraria informa ao visitante da loja de que há bons livros sergipanos à venda. Trata da integração com os leitores e visitantes. E inclui o vendedor da loja, que na ausência do escritor (afinal ninguém e de ferro) sugere bons livros ao leitor indeciso. E o vendedor faz isso com gosto, porque, agora, conhece o escritor e o respeita.

O Escritor na Livraria é um programa de trabalho restrito ainda, precisa crescer mais. Mas promete viver muito, pelo menos enquanto as livrarias viverem, enquanto houver o livro objeto palpável e o escritor material.

Fora da reunião de fechamento de mês, ele é um programa de trabalho livre. O escritor entra na livraria, veste-se de consultor e começa a agir. Sustenta bate-papos com leitores, com estudantes, até com inconvenientes. Divulga a literatura que se produz aqui e subsidia leitores sobre as boas leituras disponíveis, mesmo que não sejam livros sergipanos, mesmo que não sejam os de sua autoria.

 

15)   Convocação ao sarau de fechamento do mês.

Fui aos arquivos e recuperei o conteúdo de algumas convocações (que sempre fazemos) aos escritores do Grupo Wsap para a reunião mensal de O Escritor na Livraria, da última quinta-feira de cada mês...

Em 2016out27 convocação: O ESCRITOR NA LIVRARIA de encerramento do mês de Outubro, com sarau e tudo mais, será quinta-feira, dia 27, na Escariz Jardins, das 17 às 20 horas. Esse "tudo mais" é a grande novidade, um momento impagável: O professor e historiador lagartense (e do mundo) Claudefranklin Monteiro estará conosco, autografando seu novo livro (recentemente lançado em Lagarto): Contradições da Romanização da Igreja no Brasil (veja a capa ao lado). Lagartenses que vivem em Aracaju! Todos que valorizam uma boa obra! Os leitores, os amigos, os escritores... Alunos do professor, colegas do magistério...

NÃO PERCAM "O ESCRITOR NA LIVRARIA" DESSA QUINTA-FEIRA!. Claudefranklin merece um abraço, sua presença é muito importante.

Xxx

Outra convocação: outra última quinta-feira do mês.

Das 17 às 20 (com tolerância para mais ou para menos nos dois extremos), na Escariz Jardins.

O SARAU é aberto. Os leitores também podem declamar.

O Escritor na Livraria aproxima o autor do leitor. E é promovido no local ideal: quem entra em uma livraria é amigo do livro. E precisa conhecer a literatura sergipana (essa é a nossa missão, as pessoas não são adivinhas, temos que anunciar nossos livros).

Graças ao programa (obrigado Paulo, Fátima e todos que fazem a Escariz) a literatura sergipana tem sido muito mais lida (eu não tenho do que reclamar).

Além de bons leitores temos feito grandes amigos. Pra que mais?

xxx

23/09/17 21:35:48: Antônio Saracura: Última quinta-feira de setembro, dia 28, tem o sarau literário de O Escritor na Livraria.

É tradição!

Vou anunciar e declamar partes do novo livro que lançarei na Bienal do Livro de Itabaiana: Os Curadores de cobra e de gente.

Mas tem você, Escritor, que precisa ler lido!

Tem o leitor que nem sabe que o Escritor existe e vai passar na Livraria.

A Livraria é o templo do escritor. Eu sempre estou lá fazendo minhas orações.

Quinta-feira! Marque na sua agenda, a partir das dezessete horas, na Escariz Jardins.

 

16)   O Escritor na livraria: A crônica de um dia comum.

Segunda-feira é um dia morto no shopping. E o começo da noite mais morto ainda. A Escariz Jardins deve estar vazia, só os meninos de preto arrumam prateleiras. Mas eu tenho minha pregação semanal que farei mesmo no deserto. Cactos, calangos e pedregulhos também são filhos de Deus.

O Escritor na Livraria é um trabalho gostoso mas arriscado.

Gostoso por que semeia poesia, arte literária, fantasia e acontece dentro de uma livraria.  Sempre fui viciado em livraria. Nas cidades por onde passo ou em que vivo, as livrarias são meus bar, igreja e museu.  

Escritor na livraria é um trabalho arriscado. Conquistar depende quase que exclusivamente do conquistador bem preparado.  Avançar em terreno desconhecido envolver riscos, cada alvo é um mundo imprevisível. Como dominar todas as técnicas?  Como conviver e administrar o ridículo, o desgaste social, o mau juízo, a decepção?

 

Meu corpo esfria... então Jogo um calor em cima que nem sabia que possuía.

Estaciono o carro no lugar da sorte que está vazio. Entro na primeira loja do shopping (o supermercado G Barbosa). Estarei fazendo hora, arrumando coragem?! Já passa das seis da tarde que é meu horário. Deixo chegar mais gente ao shopping, à livraria. Que desculpa mais esfarrapada!

O vozeirão de Dantas Mendes anuncia margarinas e introduz os livros de saracura, quando me vê chegando. Ele ri, e fala no ar: Vá ao meu programa na Aperipê, Saracura, chegue depois das duas e meia. Prometo ir qualquer dia e sigo andando devagar. Compro manteiga que minha esposa nem pediu. Levo duas latas pois o preço da marca mineira está pela metade.

Finalmente, chego à livraria Escariz. Ameaço recuar, mudar o rumo, ir a um cinema e ver um filme. Que covardia!

Entro pelas laterais, olhando títulos de livros que já vira outras vezes. Aproximo-me da gôndola de livros sergipanos.  

Hoje eu não estou nada bem, ando empurrado...

Um cliente entra em meu campo. Ondas de coragem me atingem de raspão. Avalio as armas de defesas dele e me aproximo com uma bandeira branca hasteada nos olhos. Uma aura boa me assume. Cumprimento, dou-lhe um marcador de página. Ele recebe, agradece, mas segue em frente. Tem mais o que fazer, imagino.

Saindo do nada, posta-se ao meu lado, Daniel Nunes, leitor de meus livros e amigo do face, pois se apresenta assim. Como é bom encontrar um leitor, especialmente, se traz na mão Os Curadores de Cobra e de Gente e uma caneta! Batemos um papinho, tiro um selfie para dar sorte.

Lá de cima, no café fans, o peregrino Anselmo Rocha da Compostela, da Serra de Itabaiana, chama-me. Lá também está Samarone, o rei de todas as reuniões. O assunto é a rota do Santo Antônio fujão, da igreja velha à matriz de Itabaiana no próximo dia 13. Sai oito da manhã para chegar a tempo da missa que começa às dez. Oito quilômetros caminhado sob mutucas e banhos de marmeleiro.

Lá embaixo, de onde saí, Geraldo Bezerra me acena, quer me dizer algo. Desço correndo. Ele me fala da Botija da Serra de Itabaiana, de autoria de José Milton Menezes, que acabara de ler. Um bom livro que anda pelas sombras e poucos o acham. Geraldo sobe à reunião dos Peregrinos. E eu permaneço aqui na loja, no térreo.

Agora há clientes circulando. Puxo conversa com Adolfo, que se apresenta. “Eu também escrevo romances. Romances em jogos. Jogos de computador”.

“Mas aqui em Aracaju tem isso?”

Ele diz que não há mais Aracaju, todo lugar é apenas um lugar.

Outros clientes/leitores passam, param, e eu, como beija-flor, voo de um lado a outro, preciso de socorro pois estou só.

Digo, a cada um que alcanço, palavras soltas que são sopradas pelos deuses da literatura:

“Sou escritor, divulgo os livros sergipanos e faço amigos. Temos uma literatura muito rica, que fala de nossos costumes, de nossa gente, de nossos heróis e anti-heróis, de nossas cidades e povoados. 

Outros escritores participam também de O Escritor na Livraria. Logo chegarão.

Como é seu nome? Muito prazer! Eu sou Saracura, das academias sergipana e Itabaianense de Letras (me gabo, por um lapso).

Veja este livro! Acaba de sair em segunda edição. É surpreendente. Ou este outro! Leitura leve, alegre, útil...

Prestigie a nossa literatura. Leve um livro para você ou para um bom amigo. Livro é sempre o melhor presente. Nunca se gasta. Pode ser lido mil vezes, ficar amarelado e roto, mas a história continua viva do mesmo jeito. E depois, quando sua estante transbordar de tanto livro, leve-os à uma escola de periferia, provoque uma solução.

Fico feliz em tê-lo encontrado. Guarde meu marcador de página. Outro dia, com mais tempo, pare aqui nessa gôndola de livros sergipanos. Leia pedacinho do que mais o atrair, certamente vai gostar muito.”

xxx

São palavras e frases como essas que brotam aleatórias e espontâneas nas tardes noites do Escritor na Livraria diante de pessoas carrancudas, enigmáticas, armadas, afáveis, solidárias, crédulas...  As palavras são pronunciadas de mil maneiras, cada uma mais irresistível, sempre envolvidas por um sorriso cativante.  

Uma palavra bem colocada, conquista o coração duro. Um sorriso curtinho e sincero, abre portas, desarma guerreiros.

Para vender livro, entretanto, precisa-se de muito mais.  Pois, hoje, eu não vendi nenhum. Apenas plantei sementes como venho fazendo há seis invernos. Aquele livro que autografei para Daniel Nunes, foi ele mesmo que comprou.

 

17)   O Escritor na livraria: trovas de encerramento.

Para que vou escrever?

Publicar? Qual a valia

Se não houvesse o programa:

O Escritor na Livraria?

 

Além de vender mais livros

Novos amigos fazer,

Desperta em nosso povo

A maravilha que é ler

 

Obrigado ao presidente por ter me incluído na programação de palestras da Academia com O Escritor na Livraria, um tema sem pompa nenhuma.

Obrigado a vocês que permaneceram comigo até agora, atentos, ou nem tanto.

Obrigado, minha esposa, Cida, por ter vindo garantir uma salva de palmas a vocês todos, que peço agora, e faço questão de compartilhar. (...).  Tenho dito.

 (Aracaju, 2019abr08  por Antônio Saracura)

 

 

Antôniosaracurasobrelivroslidos às 19:35

 

Fonte: antoniosaracurasobrelivroslidos.blogspot.com

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