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Aracaju, Sergipe

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Resgate da História - Monsenhor Cleano - Por Maria das Graças Melo

30/10/2019

Discurso da Acadêmica Groairense, de Dra. Maria das Graças Monteiro Melo, no evento que comemora o dia do Mons. Cleano, na cidade de Groaíras Ceará.

 

 

 

 

      Quem passou pela vida  em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, e não homem,
Só passou pela vida, não viveu.

 

            (Francisco Otaviano)

 

 

Pois bem. Inicialmente parabenizo a digna presidente deste Sodalício, professora Edna, por este belíssimo evento, validação que estendo a todos aqueles que se emprenharam na organização desta festa -não cito os nomes para não cometer injustiça, omitindo algum deles - e, cumprimentando todos os confrades e confreiras, o Exmo Prefeito, assim como esta distinta platéia que muito bem representa a sociedade groairense e está a nos honrar com sua presença,  digo que,  instada a falar, neste momento, preocupou-me não ter a competência e habilidade de Pascoal em suas contundentes mensagens - ele, tem muito orgulho de dizer que discursou no momento de instalação do Ginásio da Escola Padre Mororó, mas,  por motivos relevantes, não pôde estar aqui hoje.  Escolhi, assim, resgatar o passado que, em regra,  é a doce lembrança de importantes vivências.
 Esse resgate nos fortalece e nos ensina a caminhar com menos possibilidade de cometer velhos equívocos, mesmo porque a história de cada um representa uma bússola a nos guiar rumo a novas descobertas e noveis experiências da vida em sociedade, sem o obscurantismo da inexperiência.
 Entendi oportuno destacar, posto merecer todo o nosso reconhecimento, um pouco do que sei a respeito do ilustre Patrono desta Academia, pessoa de grande importância na História de Groairas, nos seus mais diversos segmentos, o sempre lembrado Monsenhor Cleano. 
 Seus memoráveis sermões, especialmente nas missas de Domingo e dos períodos comemorativos, a exemplo da Festa da Padroeira, das comemorações da Semana Santa e do Natal, eram pedagógicos e ao mesmo tempo revelavam sua extrema preocupação e compromisso com os fieis desta Paróquia que muito bem conduzia.  Comportava-se tal qual o bom Pastor, sempre a cuidar de seu rebanho. 
Com o compromisso de formar os jovens groairenses,  Monsenhor Cleano dirigia a escola com abnegação e competência, acumulando essa árdua tarefa com a missão do sacerdócio.
Não media esforços para levar disciplina e largos conhecimentos espirituais e sócio-culturais à juventude e à comunidade que tanto prezava.
 Na escola, todas as matérias, a exemplo de Português, Francês, Matemática, História, Geografia, Ciências, eram ministradas pelos mais abalizados professores. Ele optava por contratar pessoas muito bem formadas nesses conhecimentos. 
 Mas o mestre não se contentava com as matérias básicas, pois entendia que o jovem precisava de uma formação plena. Incluiu na grade escolar muitas outras disciplinas, tais como Educação Moral e Cívica, Trabalhos Manuais. Tínhamos também aulas de Etiqueta. 
 Aos domingos, habitualmente reunia os estudantes na frente da escola, e de lá, todos saiam em fila rumo à igreja, para assistir à missa. 
A formação religiosa, que sempre foi vista como um ponto de equilíbrio das pessoas, era uma de suas grandes preocupações e, logicamente, sua meta prioritária, e, para concretizá-la, muito se empenhava. 
Tudo o que Monsenhor Cleano fazia era fruto de largo planejamento, organização e dedicação. E os resultados apareciam, sem frustrar suas expectativas. 
Havia também aulas de Educação Física, e momentos de recreação. Antes do início das aulas, pela manhã,  monsenhor Cleano conclamava os alunos a ocupar a Quadra para o hasteamento da Bandeira e canto do Hino Nacional. Ele costumava dizer que todo cidadão precisava conhecer a fundo o seu País e isso começava por conhecer os seus símbolos, por saber a letra do Hino Nacional e cantá-lo muito bem. 
Ainda hoje guardo na memória esses preciosos ensinamentos e procuro segui-los, na medida do possível.
 Como nosso grande Mentor nesta pequena Groaíras, na sua época, ainda tão pacata, onde todos viviam em suas casas com as portas abertas para quem ali habitava, Monsenhor Cleano era, de fato, um ser humano de ação, como se quisesse a todo momento nos tirar da monotonia e da inércia, típicas das pequenas cidades de então,  de reduzido desenvolvimento, carentes de comunicação intermunicipal,  por força do difícil acesso. Época pré-internet. 
 Firme nos seus objetivos, impulsionava seus projetos com a colaboração de muita gente, mas ele punha-se à frente de todos eles. Vale a pena lembrar um deles: A comemoração do Dia 7 de Setembro que se tornou uma festa emblemática, a ultrapassar gerações.
Semanas antes, Monsenhor Cleano nos convidava a ensaiar o desfile da Escola. A ponte do Rio Groaíras era um dos lugares escolhidos. Saíamos da Escola Paroquial em direção à ponte, sempre marchando à semelhança de bons soldados da Pátria. De lá, retornávamos, igualmente treinando nossos passos para fazer bonito na grande data. 
E assim, no dia 7, havia a  bem sucedida apresentação da escola, sob sua batuta. Ainda hoje recebo fotos antigas em que tento reconhecer os colegas marchando perfilados, com a farda de gala. Minha única frustração daquele tempo era ser baixinha e nunca desfilar formando pelotão, como faziam as colegas Margarida, Ozenir, Beth Ximenes, Francisca Matos, Beatriz, Zélia, Marly dentre muitas outras.
 Ao término daquele momento festivo, monsenhor Cleano sorria de satisfação, deixando que se percebesse um radiante brilho em seus olhos, como se estivsse a nos agradecer toda aquela colaboração; perce- bia-se   no seu semblante a placidez daqueles que sentem a sensação do dever cumprido.
 E nós, os estudantes, íamos para nossas casas com o coração embevecido de gratidão por termos participado do desfile, mostrando a nossos pais e aos cidadãos de nossa amada Groaíras que a comemoração do dia da Independência do Brasil era, como continua sendo, um inarredável compromisso cívico.
 Assim,  monsenhor Cleano, com todo o seu comprometimento com a formação de sua gente, dos fieis da igreja de que foi pároco durante cerca de cinquenta anos, nos deu grandes lições de vida. Ensinou-nos regras de disciplina, de civismo, a importância da religião, com todos os seus valores. Ele era nosso Mentor.
 Por fim, compraz-me dizer que monsenhor Cleano, na condição de um baluarte da educação de gerações de groairenses, nos viabilizou crescimento, com a possibilidade de dar grandes voos.   Por tudo o que fez em prol dos cidadãos de Groaíras conquistou imortalidade e nossa eterna gratidão. 
E, ao contrário do texto do poeta Francisco Otaviano, lido no início de minha fala, pode-se assegurar que monsenhor Cleano não passou pela vida em brancas nuvens, sempre foi um homem de muita ação que deixou entre todos nós o legado de suas realizações. Como costuma afirmar o acadêmico Domingos Pascoal, ele  fez a DIFERENÇA.
Quero ratificar minha enorme satisfação em estar com todos neste momento festivo, expressar minha gratidão pelo espaço a mim concedido para esta homenagem ao valoroso Patrono desta importante instuição, a AGL, e mandar para todos um fraternal abraço.

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