2019 Domingos Pascoal

Aracaju, Sergipe

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Bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros - Parte II - Por Antônio Saracura

19/11/2019

Ao meu lançamento, ontem, na Praça de Autógrafos Paraísos de Papel (uma catacumba romana na entrada dos banheiros do Armazém do Porto), foi pouca gente demais. Apenas Rafael Neto, violeiro repentista de Aracaju que corre mundo e de quem já falei antes; Silvano Gabriel, cordelista e ator consagrado aqui das Alagoas que já leu Meninos que não Queriam ser Padres; Dartanham Holanda, escritor com quem fiz amizade na 8 bienal; o lampiólogo Voldi de Moura, autor de “O Nascimento de Maria Bonita”, que corre o sertão fazendo divulgação; e minha esposa, Cida, que não teve como escapar. Vieram em solidariedade, que muito agradeci, pois animaram minha monotonia, que foi geral ali. 

 
Troquei livros com dois dos seis autores que estavam lançamento no mesmo horário, os demais prefiram ficar duas horas chupando dedo, como todos ficamos, e retornar para casa com sua ração de cupim ainda lacrada.


Alguns leitores (achei que seriam) passavam correndo, indo aos banheiros segurando a bexiga ou retornando enxugando as mãos, nem quiseram conversa, estavam pressionados por mil urgências, depois viriam. Jamais vieram.


Então, outra vez só, fui oferecer meu livro na feira que fervia em frente, em um nível mais baixo, saindo da catacumba. Abordei perto de vinte pessoas que me pareceram dignas e comprar um livro do próprio autor. Não eram, infelizmente. Retornei à base para cumprir a disciplina, meu horário esgotava-se às vinte e uma e trinta.


Xxx


Além das duas trocas (Godi, de Fabio Ferreira, e, O Pai Artur e sua Jangada, de Maria Celine Malta), dei “Minha querida Aracaju Aflita” a Dartanhan. Apenas isso para uma segunda-feira de expectativa e bem divulgada, pois meu nome constava de programação e um serviço de alto falante rouco falava da minha obra de quando em quando. Além de que publiquei na rede social “Gente da Gente” um convite tentador.

 

Aqui nessa bienal espalhada pelo bairro inteiro do Jaraguá, há ilhas isoladas onde nenhum navio atraca. A rua Sá e Albuquerque, entre a Praça da Igreja e o Palácio Museu do Comercio, cabia, em uma das calçadas, os cordelistas com suas banquinhas, os autores avulsos divulgando sua literatura (meu caso) e muito mais.


Xxx


Pensam que vou desistir? Não vou. Antes desistiria de escrever e publicar livros. Vim de tão longe pra quê?


Maceió tem praias paradisíacas. É pegar o petróleo e fazê-lo de bronzeador.
Criar ânimo para atacar a Bienal amanhã de novo. Um flanco fraco deve haver, pelo qual a nossa literatura flua, deve haver alguma maneira de fazer as pessoas se interessarem pela literatura produzida aqui.

 

Antônio Saracura

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